O que Adelaine Cruz fala sobre Jorge Marcelo Oliveira

2019 Adelaine Cruz – Jantar Emporio Nono Agosto @ MONDO MODA

Não me recordo quando ou onde fomos formalmente apresentados, só lembro-me da primeira vez que o ouvi fazer uma ponderação certeira sobre a indústria da moda no Brasil. Era um talk de um dos módulos do projeto CPFL Cultural, em Campinas creio que no início dos anos 2000 (?). Mal os palestrantes abriram para as perguntas do público e lá estava ele, Jorge Marcelo Oliveira, ou JM, como ele está salvo nos meus contatos. Sua segurança ao falar, com um tom grave, meio aveludado, aliada ao seu estilo cool de vestir-se (lembro-me que usava um cachecol e um blazer de caimento impecável), chamaram a atenção dos presentes, inclusive a minha.

A partir dali, coincidentemente, passamos a nos encontrar com certa frequência, em ocasiões profissionais.

A relação profissional foi crescendo, ele como convidado devido à sua atuação na imprensa, por meio do portal Mondo Moda, e eu como assessoria de imprensa.

Do relacionamento profissional para a amizade foi um pulinho, já que temos muito em comum, além do jornalismo cursado na mesma universidade e praticamente na mesma época. O estranho é que nunca havíamos nos encontramos na faculdade… Enfim, eu achava que éramos ambos piscianos, só que o JM era aquariano, até ele descobrir que, de fato, é Áries com ascendente em Aquário e lua em Virgem – fato que o levou a fazer o meu mapa astral.

Compartilhamos da mesma tendência para o sarcasmo e a ironia, da mesma mania de zoar alguns desafetos. Nada de maldade, pura zoação.

Temos afinidades culturais em decoração, moda, música, teatro, artesanato, coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar… JM descobre cada vídeo de música bárbaro! E compartilha comigo.

Aliás, em tempos de streaming, eu ainda guardo com carinho dois DVDs gravados por ele especialmente para mim, um de sucessos da disc music e outro com interpretações das divas dos anos 40 e 50.

Apesar de nossas histórias de vidas serem diferentes, somos alinhados em assuntos como política, questões sociais e defesa das minorias. Só que o JM foi bem mais atuante e engajado na militância do que eu. Fato pelo qual sinto o maior orgulho dele.

Nosso círculo profissional é um tanto quanto restrito e algumas vezes rola algum bafão, como quando uma então cliente da nossa empresa presenteou alguns jornalistas com perfumes importados. O JM, obviamente, estava no mailing e recebeu um perfume. Detalhe: a data de validade estava vencida. Ele não divulgou, mas nos contou e quase morremos de vergonha. Nos desculpamos em nome da cliente etcetera.

Em outro episódio bizarro, uma também ex-cliente, proprietária de uma clínica de estética, do nada, sugeriu ao JM um tratamento corporal de emagrecimento. Mais uma vergonha. Tempos depois, a clínica foi lacrada mas não me recordo o motivo.

Houve mais. Um certo restaurante, nosso cliente, realizou um evento e, uma das ações de sampling era com picolés. Só que a gênia do marketing do cliente proibiu a distribuição para os profissionais de imprensa presentes. JM, com razão, deu uma surtada com o pessoal que entregava os sorvetes aos convidados, mas excluía os jornalistas. Mais uma vez, ele não divulgou o nome do nosso cliente na publicação que fez no Mondo Moda e nas redes sociais. Tenho certeza de que, se não fosse pela consideração que ele tem por nós, tais empresas não teriam sido poupadas.

Nos falamos sempre por Whatsapp. Da vida, do tempo, de trabalho, dos nossos relacionamentos pessoais. Rimos das estripulias do(s) cães dele, das pessoas sem noção, das surtadas que eu dou vez por outra…

Admiro o potencial do JM. A criatividade, as multicompetências e a sua resiliência. Ele dá um click e muda a direção profissional. E acerta, mais uma vez. Da moda, para o design, passando pelo jornalismo.

O Jorge Marcelo a quem chamo de amigo é assim. Super normal, mas longe de ser bonzinho. É impulsivo, não tolera desaforos (ele melhorou muito com a idade hahahahah), é solícito e afetuoso embora, às vezes, dê uma virada no jiraya (e quem nunca?). Em determinadas ocasiões é meio inocente. Acredita nas pessoas e depois se decepciona.

É uma das poucas pessoas capazes de me arrancar gargalhadas e de me fazer parar, no meio do dia, para ler ou escrever textão (tipo este).

JM conserva um lado infantil que curte festa de aniversário. Faz encontros para comemorar com os amigos e já fui a alguns dos mais bacanas, como um em pleno carnaval, outro numa choperia bacana da cidade e um terceiro em um buffet badalado. Neste último, rolou babado e confusão, só que isso é outra história e não é minha.

Em todos esses anos, só tenho um sentimento bem triste, de culpa, em relação ao JM. Quando a mãe dele faleceu eu não estava em Campinas. Soube tarde demais e não pude prestar a minha solidariedade e dar um abraço nele.

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